segunda-feira, 18 de abril de 2011

Governo da Paraíba oferece bolsa de R$ 230,00 e aborta greve

Sob clima de greve já, aproximadamente 500 professores ocuparam a sede do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Paraíba (SINTEP/PB), no último dia 15 de abril para o grande momento, decretar ou não uma greve por tempo indeterminado caso o governo não apresentasse uma proposta que convencesse a categoria.
Segundo a avaliação dos 12 representantes das regionais do sindicato, 60% foram a favor para deliberação da greve, 30% acatariam a decisão da assembléia e 10% não havia clima para uma decretação da greve, já que 70% das escolas funcionam com prestadores de serviço e isso poderia inviabilizar o movimento. Porém, outro retrucou que sempre existiu prestador de serviço e nem por isso as greves deixam de acontecer e que era preciso convencer essas pessoas para participarem do movimento, pois o medo havia passado e a única forma de regularizar esta situação seria a realização de concurso público urgente.
Mas o momento de grande expectativa foi a fala do Presidente do SINTEP, Antonio Arruda, em relação a audiência com os Secretários Afonso Scocuglia (Educação) e Gilberto Carneiro (Administração), quando chegou a afirmar que segundo o governo não iria cortar os dois dias da última paralisação, (foi motivo de muita chacota e de uma grande vai dos professores). O governo ofereceu uma Bolsa de Avaliação de Desempenho Docente (BADD), no valor de até R$ 230,00 para professores efetivos, pró-tempores e prestadores de serviço, mas para que esses profissionais terem acesso a Bolsa teriam que passar por uma bateria de critérios, porém, esses critérios não foram explícitos em documento – criticados por muitos professores, pois essa forma poderia ser um prato cheio para beneficiar os apadrinhados do diretor da escola e dos agentes políticos de plantão. Outro ponto polêmico foi a retirada da Gratificação de Estímulo a Docência do mês de Janeiro (GED) e dividir o terço de férias em duas vezes, foram motivos para muita insatisfação. 
Esses foram alguns questionamentos: Se for a Diretora da Escola que irá colocar o valor da bolsa levando em consideração o próprio critério pessoal, coitado daquele que ela não for com a cara! Será através da apresentação de um currículo, levando em consideração tempo de serviço, habilidades e competências para o exercício da função?
– para ilustrar uma professora fez uma brincadeira quanto ao recebimento da bolsa prevista para ser implantada no mês de maio: - mulher, quanto tu recebesse? – Eu recebi de bolsa misericórdia R$ 100,00 kkkk. - Não mulher, ta errado, pois eu recebi R$ 150,00. - A outra respondeu na fila do banco: não mulher, pois eu recebi R$ 230,00 e olha que eu não tenho esses cursos de formação que você e sempre que posso falto duas  ou três vezes por mês. Corra atrás de um político para corrigir isso, pois é perseguição da Diretora da Escola, sua bolsa está errada, é para todo mundo receber essa esmola sem critério mesmo. Pois o que precisamos é do cumprimento do piso salarial, isso é tapeação para boi dormir. Esse Estado tem dinheiro e o governo quer nos enganar. 
Quanto ao sofrimento das 8 horas corrida de trabalho para o pessoal de apoio das escolas, para amenizar o sofrimento o governo ofereceu R$ 60,00 para vale-transporte, porém, um detalhe, apenas para os profissionais de João Pessoa e Campina Grande.
A revolta foi geral, sob gritos de greve já os professores rejeitavam as propostas do governo e queriam o cumprimento da Lei do Piso, pois a proposta da Bolsa-esmola foi considerada indecente até porque os aposentados ficariam de fora, muitos começaram a deixar a assembléia revoltados dizendo que o governo comprou o sindicato, pois havia enviado cópia da ata da audiência com anuência dos representantes do SINTEP e que aquele espaço havia se transformado em um picadeiro e que eles não eram palhaços
para estarem ali, usados pelo governo.
O clima ficou altíssimo e os ânimos acirrados, a confusão tomou conta da Assembleia.
A representante da 3ª Regional do sindicato de Campina Grande, a Professora Edna Serafim propôs que levássemos as propostas do governo para discutir com a base e no dia 29 de abril uma nova Assembleia para decidir sobre o rumo do movimento. Foi literalmente vaiada pelos presentes. Antonio Arruda chamou a atenção dos mesmos exigindo respeito e lançou duas propostas para acalmar os ânimos dos alterados, ou seja, os opositores a atual direção do sindicato.
1ª Proposta: Pela greve já e negação das propostas do governo. Obteve 104 votos.
2ª Proposta: Levar a proposta do governo para ser discutida com a base e uma nova Assembleia geral para o dia 29 de abril. Obteve 124 votos. A votação foi marcada por muita tensão e teve que ser decidida pela soma dos crachás, pois só apenas levantando a mão com o crachá não foi visivelmente o suficiente para saber qual a proposta vencedora, além de muitos gritos de uma ala oposicionista a atual direção do sindicato, pois o sistema colegiado está em crise, a direção do SINTEMP está fragilizada por uma contracorrente ideológica instalada dentro da estrutura do mesmo, a exemplo do antigo SINTAB, é preciso mudar urgentemente o estatuto daquele sindicato para presidencialismo, pois esse conflito interno quem sai perdendo é a própria categoria, pois em guerra não há momento para pensar, há desequilíbrio.
Por: Gilson Nunes – Consultor Sindical da ASPRENNE.

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