quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ceplac realiza treinamento para sangria de seringueira

Foi realizado, nos dias 23 e 24 (segunda e terça-feiras), um treinamento em sangria de seringueira para 20 agricultores familiares e trabalhadores rurais da região de Valença. O curso, realizado na área demonstrativa da Ceplac na fazenda Tucum Mirim, em Valença, é uma ação do Centro de Extensão da Ceplac Bahia, através do Escritório Local de Valença, em parceria com a multinacional Michelin, empresa que compra e beneficia 70% da produção de látex da região, e a Faeb e o Senar. Os treinandos receberam instruções sobre como proceder o primeiro corte nas árvores.

Esse primeiro procedimento é importante porque, se bem feito vai garantir a produtividade da planta mas, em caso de erro mais grave, pode levar até à sua inutilização. “Procuramos, logo no primeiro corte, garantir o que chamamos de cinco pontos essenciais para o melhor aproveitamento da árvore. Equilibramos o cosumo de casca, a profundidade do corte, evitamos o ferimento da parte lenhosa, acertamos o declive do corte para melhorar o fluxo do látex e, por fim, atentamos para os aspectos gerais, que influenciam na qualidade e índice de sujidade do látex”, observa o monitor Waldomiro Ângelo Souza de Jesus.

Enquanto o curso era realizado na fazenda Tucum Mirim, representantes de entdades ligadas à agricultura, como a Faeb, CAR, sindicatos rurais, agentes financeiros (Banco do Nordeste e Banco do Brasil), associações de agricultores familiares e cooperativas se reuniram no escritório Local da Ceplac para conhecer os projetos de SAF realizados na região. Uma palestra do engenheiro agrônomo Joailton Manoel de Jesus, do Escritório de Valença, mostrou diversos casos de sucesso, com recuperação de áreas degradadas e os resultados econômicos para os produtores que apostaram nos SAFs.

O diretor-geral da Ceplac, Jay Wallace, participou das atividades no campo e no escritório, e se mostrou surpreso com o que viu. “Chega um momento que a gente acredita que nada mais vai nos emocionar na vivência do campo, mas o que está sendo feito aqui nos faz ver que estamos errados. Enquanto as políticas públicas em relação aos sistemas agroflorestais não são finalizadas em Brasília, vocês aqui se adiantam e mostram, na prática, o que a sociedade e o governo ainda discutem como proposta”, observou. Participaram da programação, ainda, o superintendente regional da Ceplac, Juvenal Maynart, e os diretores do Cenex, Sérgio Murilo, e do Cepec, Adonias de Castro.

Incentivo

O curso é uma das etapas do programa de incentivo para implantação de Sistemas Agroflerestais (SAFs) na região que abriga mais de 3.000 agriculores familiares e é tida como a mais diversificada do mundo. A Ceplac dá assistência aos produtores e os resultados são visíveis. Com as novidades nas plantações, as famílias também estão experimentando uma mudança no padrão econômico, fator essencial para sua permanência no campo. “Esse ano, por exemplo, o agricultor familiar Destaque do Ano, premiado no Dia Internacional do Cacau, foi um produtor daqui, Manoel Ismael de Jesus, que vive na propriedade com sua esposa e seus oito filhos”, afirma o chefe do Escritório Local, Geraldo Argôlo.

O diretor do Centro de Extensão da Ceplac, Sérgio Murilo, diz que ações como essas são importantes porque promovem a necessária garantia da sucessão de agricultores familiares. “Os sistemas agroflorestais, pelo seu resultado econômico, estão se constituindo numa importante ferramenta para que consigamos manter essas famílias no campo. Os jovens estão observando que seus pais estão auferindo lucros com a atividade agrícola, e isso faz com que a sedução das grandes cidades não os alcance”.

Qualidade

A preocupação com a qualidade das sangrias vem aliada ao cuidado com a qualidade do produto, e é dividida pela Michelin e pela Icaubor, empresa que intermedia a comercialização do produtor à Michelin. “Nossa relação com o produtor é de parceria. Queremos ter a preferência da venda, mas também queremos ajudá-los, treiná-los e até financiar equipamentos e ferramentas de trabalho”, afirma o técnico agrícola Sandro Catusso.

Experiente no ramo, ele elogia a qualidade do látex da região de Valença, especialmente por causa da pós-colheita. “Na região de Una, outro pólo, os produtores não tem tanto cuidado com o produto. Lá, a forma de acondicionamento, em sacos de nylon, acaba por comprometer a qualidade final da borracha. Aqui, isso é feito em bombonas plásticas. Outro problema é manter o látex dentro d’água, após a colheita, acreditando que haverá ganho de umidade. Não há esse ganho e o produtor ainda corre o risco contaminar suas fontes de água potável”.

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