sexta-feira, 6 de julho de 2012

‘Projeto Ônibus Hacker’: laboratório sobre quatro rodas invade cidades brasileiras realizando troca de experiências

Ensinar e aprender sobre quatro rodas. Este é um dos objetivos principais do projeto Ônibus Hacker que, desde o ano passado, tem levado e trocado conhecimento com diversas populações em diferentes estados brasileiros. Depois de passar por Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Ribeirão Preto, Minas Gerais, entre outras cidades, a próxima parada do veículo será em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, para o 13º Fórum Internacional de Software Livre – FISL, que acontecerá entre os dias 25 e 28 de julho.
"Esta não será uma invasão propriamente dita, pois estaremos indo em parceria com o evento. O Ônibus Hacker servirá como laboratório para troca de saberes incríveis, um espaço de compartilhamento real de práticas e experiências”, assinalou Pedro Belasco, cientista social e integrante do projeto Ônibus Hacker, em entrevista a Adital.
Entre as "invasões” realizadas pelo grupo, a mais recente aconteceu na cidade do Rio de Janeiro. Durante os dias da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no final do mês passado, o projeto Ônibus Hacker esteve presente no Complexo do Alemão, periferia da Zona Norte do estado, e realizou com as crianças da comunidade oficinas de rádio livre e de como criar uma lei. Também foi exibido um documentário sobre a Usina Belo Monte [que está sendo instalada no Pará] e um dia para a oficina de conserto de bicicletas.
"No complexo do alemão, dialogamos com as crianças sobre projetos de leis e como lidar com a questão do lixo no morro. Elas entendem agora que não é uma questão que depende apenas do governo ou das associações comunitárias, mas que elas mesmas podem participar desse processo”, explica Belasco.
Não há uma agenda a ser seguida pelo grupo, assim os integrantes lançam suas ideias no grupo de discussão do projeto, no site do Google Groups, e escolhem um novo destino para o ônibus.
A ideia do Ônibus Hacker – ‘um laboratório sobre quatro rodas’ – teve início em junho de 2011 e surgiu do desejo mútuo do grupo Transparência Hacker de ocupar cidades brasileiras com ações políticas que vão desde a apropriação tecnológica, questionamento de direitos e exercício de deveres, ao ensino doknow-how e a troca de conhecimentos entre as pessoas.
Em seu portal na internet, a comunidade Transparência Hacker, criada no ano de 2009, funciona como um espaço aberto para designers, desenvolvedores web, gestores públicos e outros grupos para proposta e articulação de ideias que utilizem a tecnologia para fins de interesse da sociedade.
O projeto se concretizou após o grupo lançar sua ideia no Catarse– um site que promove financiamento coletivo através de doações. Funciona assim: a proposta do projeto é explicada, o seu orçamento é lançado, e aqueles que tiverem interesse em ajudar, doam uma quantia em dinheiro para sua realização. Em dois meses, 500 pessoas doaram o valor de 60 mil reais para a compra do Ônibus Hacker que começou a rodar para valer pelo Brasil.
Desde então, o grupo tem realizado viagens, as "invasões”, em cidades brasileiras como Rio de Janeiro (RJ), na região central da cidade de São Paulo (SP) denominada Cracolândia, em Porto Alegre (RS), entre outras cidades. A ideia é muito interessante, pois promove oficinas e atividades com a população do local visitado levando transparência política e conhecimentos técnicos para ajudá-la a criar seus próprios processos de transparência.
Pedro Belasco diz que o projeto não tem um modelo pré-determinado e que está aberto a ideias. "Nossas invasões não são planejadas e não há um público específico. Chegamos ao local, analisamos as pessoas, o ambiente e decidimos o que fazer. Aqueles que estiverem no entorno e despertarem interesse pelo que estamos fazendo, podem se aproximar e participar”.
De acordo com ele, o Ônibus Hacker tem um intuito recíproco com as pessoas: ensinar e aprender. Além disso, não invade somente para realizar oficinas e atividade. Há diálogo com o público sobre autonomia, empoderamento e outras questões, falando de política de um modo diferente. "O impacto é muito mais de troca de experiências. O que nos preocupa é o processo, não o produto”, disse.
Os interessados em participar do projeto e contribuir com doações para o Ônibus Hacker devem se dirigir para o Grupo de Discussão do projeto no Google Groups, através do linkhttp://groups.google.com/group/thackday.
Mais informações em: www.onibushacker.orgehttp://thacker.com.br/projects

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