terça-feira, 6 de novembro de 2012

MARCOS VALÉRIO TENTA ENVOLVER LULA EM MENSALÃO E CASO CELSO DANIEL

 Titular da Secretaria-Geral da Presidência nega acusações de publicitário condenado pelo STF
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse ontem desconhecer o publicitário Marcos Valério, apontado como principal operador do mensalão, e afirmou respeitar o "desespero" do réu, que tenta vincular o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao esquema.
Reportagem da revista Veja publicada no fim de semana diz que Valério afirmou em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) que Lula e Carvalho teriam sido extorquidos por um empresário que ameaçava relacioná-los à morte do então prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), em 2002.
Valério foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 40 anos de prisão por envolvimento no esquema de compra de apoio parlamentar ao primeiro mandato do ex-presidente Lula.
"Nunca vi Marcos Valério, nunca falei com ele, nem por e-mail. Não tem nada a ver.
Nunca soube dessa história também de chantagem em Santo André", disse Carvalho a jornalistas após evento no Palácio do Planalto. O ministro já havia negado conhecimento do caso em nota no fim de semana.
"Eu não sei (o que Marcos Valério está tentando com isso).
Vocês devem imaginar. Tenho até de respeitar o desespero dessa pessoa", disse ele.
Valério teria aceitado contribuir com a Justiça em troca de uma pena mais branda, segundo a reportagem da revista. A pena do publicitário ainda pode ser alterada, já que o processo de definição das penas ainda está em andamento no Supremo.
O publicitário tentou envolver o ex-presidente Lula no escândalo em outras situações. Carvalho classificou a tentativa como "natural".
"O presidente Lula nunca teve nada com essa história. Está longe, fora disso completamente. Se tem uma coisa que não nos preocupa, não nos perturba, é isso", disse ele.
Carvalho negou que tenha a intenção de processar judicialmente Valério pelas acusações.
"Não vou me dar ao trabalho disso. Eu tenho mais coisas a fazer", afirmou O ministro reuniu-se na manhã de ontem com a presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, o encontro foi para discutir "coisas de governo" e que a presidente não abordou a questão do mensalão. A cúpula petista à época do escândalo também foi condenada pelo Supremo.
As penas do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, do ex-presidente do PT José Genoino e do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares ainda não foram definidas.
Retomada Depois de quase duas semanas de intervalo, o julgamento da Ação Penal 470, o processo do mensalão, será retomado amanhã.
Os ministros estão na fase inicial da escolha das penas para cada réu, de acordo com as condenações que já foram definidas na etapa anterior. Atualmente, a Corte está fixando a pena de Ramon Hollerbach, ex-sócio do publicitário Marcos Valério.
O julgamento foi interrompido por uma série de incompatibilidades no calendário. O relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, viajou para a Alemanha na semana passada para tratar da saúde. Ontem, a sessão usual foi desmarcada por coincidir como Encontro Nacional do Judiciário, que este ano será em Sergipe.
Já têm presença confirmada no evento o presidente Carlos Ayres Britto e Joaquim Barbosa, que assumirá a presidência do STF em 22 de novembro.
O julgamento do mensalão completou três meses na última sexta-feira (2) e ainda não tem data para terminar. O processo veio a plenário no dia 2 de agosto,com solução de questões preliminares -como o pedido de desmembramento do processo-e a apresentação das teses de acusação e de defesa nos dias seguintes.
A fase de condenações e absolvições começou no dia 16 de agosto. Dos 37 réus, 25 foram considerados culpados, a maioria por mais de um crime, e 12 foram inocentados. A terceira e última etapa, da fixação das penas, começou no dia 23 de outubro, e não há previsão de término. (Valor Econômico)
Extraído de: Associação do Ministério Público de Minas Gerais

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