sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Legenda de Marina terá rede no nome

Por De São Paulo

Uma agremiação que não seja batizada como partido, nem identificada por uma sigla. E que tenha a palavra rede no nome. Reunido desde o início da semana, em Brasília, o grupo liderado pela ex-ministra e presidenciável Marina Silva tenta achar uma marca e apresentar propostas que possam levar a legenda que está criando a representar uma novidade na política brasileira.
O acrônimo Semear (Sustentabilidade, Educação, Meio Ambiente, Ética e Renovação), preferido em votação recente pela internet, perdeu força. As opções agora são Rede, Brasil em Rede, Rede pela Sustentabilidade, Rede Verde e Lista Independente. O nome será decidido no dia 16, em Brasília, em plenária que está sendo organizada para aprovar também o estatuto e o programa partidário.
"Rede traduz a visão e a nova forma de partido que queremos", afirma Pedro Ivo Batista, braço-direito de Marina Silva.
A inspiração vem das novas formas de relacionamento, como as redes sociais, e da crítica ao "atraso organizativo na política brasileira". "Há uma mudança de padrões em diversos setores da sociedade, mas a estrutura partidária hoje é muito rígida, com políticos profissionais e burocracia fechada", acrescenta Batista.
Algumas inovações já estão incorporadas na minuta do estatuto. O partido não terá um presidente, e sim dois porta-vozes, um homem e uma mulher, como no Partido Verde sueco. Cerca de 20% a 30% das funções de direção serão reservadas para "pessoas independentes", sem filiação ao partido, mas com direito a voto.
O objetivo é criar uma prática política diferente, mesmo que a legenda precise atender a aspectos legais. "O PT, quando nasceu, formalizava determinadas decisões, como exige a legislação, nas convenções, mas o processo se dava nos núcleos e nos encontros", afirma Batista, ex-petista assim como Marina Silva.
Um episódio que reflete o ativismo político procurado pelos "marineiros" foi o movimento surgido na internet, no fim do ano passado, no qual centenas de usuários do Facebook passaram a adotar o termo Guarani-Kaiowá como sobrenome, em apoio aos índios que travavam um conflito com fazendeiros do Mato Grosso do Sul.
É a "política 2.0", que, na opinião do grupo, deverá alterar "totalmente" a democracia representativa, em virtude da universalização da banda larga e da relação cada vez mais direta dos cidadãos pelas redes sociais.
"Não havia partido, nem sindicato por trás disso. Ninguém sabe quem organizou, mas o movimento se alastrou rapidamente em rede. É nisso que queremos apostar. O papel da liderança hoje é cada vez mais criativo, autoral, diluído", diz o assessor político, para quem há uma "revolução cognitiva" em andamento.
A liderança de Marina Silva, afirma Batista, não será personalizada. Mas o grupo sabe dos riscos de que possa haver uma oligarquização em torno dos principais dirigentes e, por isso mesmo, estuda-se uma cláusula de extinção do partido num determinado prazo.
"Mais importante que o partido é a causa. O partido não deve servir para ninguém se autodefender, para se criar um projeto pessoal de liderança", diz.
Entre as maiores inspirações do grupo, cita o assessor político, estão as novas tecnologias, os movimentos sociais e protestos como a Primavera Árabe (na África e no Oriente Médio), o Occupy Wall Street (nos Estados Unidos), os "Indignados" da Espanha.
Estatutos de partidos como o Québec Solidário, do Canadá, o Partido Pirata alemão e o Partido X-Partido do Futuro espanhol estão sendo analisados para a elaboração das regras internas.
Marina Silva obteve quase 20% dos votos na eleição presidencial de 2010. (CK)

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