terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Petrobras Biocombustível rebate denúncias de superfaturamento na compra de usinas

Na avaliação do deputado Luis Carlos Heinze, no entanto, a Petrobras fez investimento equivocado ao comprar as usinas no PR e RS, piorando a situação de crise e de queda patrimonial da matriz Petrobras.
Antonio Araújo / Câmara dos Deputados
Presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rossetto: compra das usinas seguiu critérios técnicos, corporativos e estratégicos.

O presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rossetto, negou nesta terça-feira que tenha havido superfaturamento na compra de usinas de biodiesel na região Sul. Ele participou de audiência pública da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados.

Os integrantes do colegiado discutiram a suspeita de que a estatal teria pagado valores acima do mercado para adquirir a metade do controle de duas unidades da Indústria e Comércio de Biodiesel Sul, a BSBios.

Em setembro de 2009, a Petrobras Biocombustível pagou R$ 55 milhões pela compra de metade da unidade da BSBios em Marialva, no Paraná. Dois anos depois, desembolsou mais R$ 200 milhões pela metade da unidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.

Investimento equivocado
O deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS) solicitou a audiência pública e disse ter sofrido ameaças no Sul em virtude das denúncias que apresentou. Ele apresentou orçamentos de empresários do setor para sustentar que a Petrobras Biocombustível fez um investimento equivocado, que tende a piorar a situação de crise e de queda patrimonial da matriz Petrobras.
Antonio Araújo / Câmara dos Deputados
Luis Carlos Heinze: valor pago pela Petrobras pela metade das duas usinas daria para fazer duas usinas novas e ainda sobraria.
"Comercialmente, eu não faria esse negócio. Vários empresários do setor – cerealistas, cooperativas e empresas de biodiesel com quem a gente conversa – não fariam esse negócio”, afirmou Heinze.
“Eles acharam que é um valor muito caro para se pagar por isso aí. Essa é a preocupação que nós temos porque aqui tem dinheiro público envolvido”, acrescentou. “Consultando empresas, elas informam que hoje poderia se fazer duas usinas por menos de R$ 200 milhões."
Critérios técnicos
De acordo com Miguel Rossetto, a aquisição das duas unidades da BSBios seguiu critérios técnicos, corporativos e estratégicos. A estatal já tem usinas próprias no Sudeste e Nordeste. Segundo ele, as novas compras obedeceram à estratégia de nacionalização da produção e de reforço do polo produtivo da região Sul, devido à proximidade com a cadeia produtiva da soja e à grande densidade de agricultores familiares.
Rossetto explicou que, hoje, o óleo de soja é a principal matéria-prima do biodiesel brasileiro. Ele ressaltou também que as aquisições de empresas pela estatal se baseiam em estudos prévios sobre a análise de fluxo de caixa e a expectativa de retorno.
"A ideia fundamental que adotamos como premissa para a definição de um investimento ou de uma aquisição é analisar, a longo prazo, a capacidade da geração de caixa dessa oportunidade de negócio”, observou Rossetto.
“Todos os nossos investimentos são prévia e tecnicamente analisados por um conjunto importante de pareceres de comitês técnicos, que têm como base uma taxa de retorno mínima de todos os investimentos. Nós estamos absolutamente seguros quanto à qualidade dos investimentos e relação ao preço justo dos investimentos para a Petrobras Biocombustível", destacou.
Miguel Rossetto acrescentou que todo o processo de compra das unidades da BSBios foi feito de forma transparente e submetido a auditorias externas. A documentação relativa ao negócio empresarial foi disponibilizada aos parlamentares.
 'Agência Câmara Notícias'

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