LUIZA

terça-feira, 4 de novembro de 2014

BAHIA - Deputado eleito defende vaquejada e rebate declaração de vereador

O ex-secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, eleito deputado estadual com quase 80 mil votos defendendo a bandeira da agropecuária e da pesca, contesta o vereador de Salvador, Marcell Moraes, também eleito deputado estadual, que num programa de rádio afirmou que quer acabar com as vaquejadas na Bahia, “doa a quem doer e goste quem gostar”. De acordo com Salles, “querer acabar com as vaquejadas significa causar o desemprego de milhares de pessoas em todo o Estado, e prejudicar centenas de famílias que vivem dessa atividade esportiva e sociocultural”. Salles lamenta ainda que “ele chega à Assembléia Legislativa querendo desempregar o povo mais sofrido do interior”.
De acordo com Eduardo Salles, “como todo esporte, a vaquejada tem que evoluir em suas regras, deve ser melhor praticada e por isso deve ser regulamentada”. Para tanto, Salles afirma que seu primeiro ato assim que assumir o mandato de deputado estadual será apresentar um projeto de lei regulamentando a vaquejada como atividade esportiva e cultural, como já acontece nos estados de Alagoas, Roraima, Ceará e Piauí. Nesse mesmo objetivo, tramita em Brasília, na Câmara dos Deputados, o projeto de lei 3024/11, do deputado Paulo Magalhães.
Essa questão foi debatida pelo deputado eleito Eduardo Salles com dezenas de lideranças do setor, dentre elas o vice-presidente da Associação dos Criadores de Cavalos de Passeio e Esporte (ABCCPE) Leonardo Abreu; Valmir Velozo, presidente da Associação Baiana de Vaquejada (ABV) e o médico veterinário e histórico corredor de vaquejada, Gildo Cedraz. Todos concordam com a necessidade de regulamentação e ajustes das normas, e se prontificaram a nos próximos dois meses participar da elaboração do projeto de lei, e já ajustaram um calendário de reuniões.
Salles, que como secretário da Agricultura foi o primeiro a publicar um calendário oficial de vaquejadas e cavalgadas na Bahia (2014), e que desde os 15 anos participa de vaquejadas, lembrou que essa atividade reflete a vida do vaqueiro no seu dia a dia. O calendário foi feito com apoio da ABCCPE, ABV e Núcleo Baiano do Cavalo Quarto de Milha (NBCQM).

IMPACTO SOCIOECONÔMICO
O deputado eleito Eduardo Salles explicou que oficialmente são realizadas cerca de 200 vaquejadas em municípios baianos, seis das quais organizadas pelo Clube dos Trinta, e 12 pela Associação Baiana de Vaquejada (ABV) entidade que desde o mês de junho desse ano coloca em prática o Regulamento Geral de Vaquejada, aprovado pela Associação Brasileira de Vaquejada (ABVAQ). O documento estabelece normas de realização dos eventos, de bem-estar animal e diretrizes de controle e prevenção sanitário-ambientais e de segurança em geral.
De acordo com Salles, o impacto socioeconômico das vaquejadas é muito amplo, desde a geração de empregos e renda nas propriedades com contratações de vaqueiros, veterinários e tratadores, passando pela produção e comercialização de insumos, sementes, fertilizantes, medicamentos, indústria de couro, (selaria e arreios), além dos profissionais de doma e treinamento, clínicas e hospitais veterinários, transporte de animais, locutores, juízes, equipes de som e filmagem.
Além desses segmentos, há ainda os ambulantes, desde os vendedores de “capeta”, churrasquinhos e pipocas, até o segmento de hotelaria, bebidas e alimentos, grupos geradores, iluminação, construção e manutenção das estruturas dos parques de vaquejadas e os shows artísticos.
Só para se ter idéia do que isso significa, basta lembrar a afirmação do cantor Bel Marques, na última vaquejada de Serrinha, a maior da Bahia, que num só dia reuniu um público de mais de 110 mil pessoas. “Acabamos de quebrar o recorde de público de Barretos/São Paulo”, disse ele durante sua apresentação, ao saudar o público.
Salles destaca ainda que “foi a vaquejada que resgatou o cavalo de sela, evitando que acontecesse o que ocorreu com o jumento, abandonado por falta de uso e substituído pelas motos. Hoje os cavalos são melhor tratados e valorizados”
Segundo a Revista Agro Analysis, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o setor de equinos no Brasil gera 641 mil empregos diretos, seis vezes mais que a indústria automobilística e 20 vezes mais que a aviação civil. Com um plantel de 5,9 milhões de animais, o Brasil tem o terceiro maior rebanho de equinos do mundo, atrás apenas da China e do México. A Bahia é o segundo estado no ranking nacional, atrás apenas de Minas Gerais.

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