quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Argentinos votarão em 2º turno para presidente pela primeira vez na história do país

Adital - Pela primeira vez na história da Argentina, a população deve eleger o presidente do país em segundo turno, marcado para o próximo dia 22 de novembro. Depois da votação em primeiro turno, no último domingo, 25 de outubro, a disputa está agora entre o candidato governista Daniel Scioli, governador da Província de Buenos Aires, e o prefeito da Capital argentina, Mauricio Macri. Scioli, candidato da Frente para a Vitória (FPV), partido da atual presidenta Cristina Fernández, alcançou 38,09%, enquanto que o autodenominado centro-direitista Macri, do partido Mudemos [Cambiemos], obteve 30,36%.

Daniel Scioli e Mauricio Macri foram os mais votados no último domingo, 25 de outubro. Foto: Reprodução.

O candidato do governo permanece favorito na reta final, ainda que o resultado das urnas seja expressivamente inferior ao obtido pelo principal cabo eleitoral, a presidenta Cristina, em 2007 e 2011. Na noite de domingo, Scioli dedicou sua vitória a ela e ao marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, morto em 2010, que comandou a Casa Rosada de 2003 a 2007, tendo como Scioli seu vice. Ainda assim, para os analistas políticos, o candidato situacionista tem apresentado uma política com viés mais direitista do que de esquerda, portanto, cada vez mais distante do kirchenismo.
Enquanto os governistas comemoram o favoritismo de Scioli, Macri celebra o crescimento de sua candidatura e se apresenta como um rival político mais forte em relação às eleições anteriores, sempre encerradas já em primeiro turno. "Consolida-se uma alternativa em nossa querida Argentina”, disse o segundo lugar nas urnas. O prefeito de Buenos Aires aposta em um anti-kirchenismo para captar votos em todos os segmentos da população argentina.
Os dois candidatos estarão juntos em debate no canal de televisão "Todo Noticias”, marcado para o próximo dia 11 de novembro. Já no dia 15, os postulantes à Presidência da República devem discutir suas propostas em encontro organizado pela ONG Argentina Debate, na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires (UBA).
Durante todo o primeiro turno do processo eleitoral, Scioli esteve ausente de debates públicos. O resultado das urnas, entretanto, motivou o candidato governista a mudar de estratégia. "Irei a todos os cenários que se deem onde eu possa explicar por que os argentinos devem votar em mim, e darei nos debates o que tiver de dar. Já tinha dito isto antes e não é que eu tenha mudado de opinião.Macri sabe muito bem”, disse Scioli.
Para as próximas semanas, Scioli tentará conseguir a adesão do eleitorado de Sergio Massa, do partido Unidos por uma Nova Argentina (UNA), que figurou como terceiro colocado no primeiro turno, com 20,64% dos votos; e da deputada Margarita Stolbizer (Progressistas), única mulher a disputar a Presidência nestas eleições.
Outros dois candidatos disputaram a Presidência: Nicolás del Caño (Frente de Esquerda) e o ex-presidente interino (em 2001) Adolfo Rodríguez (Peronismo Federal). Além do presidente e do vice-presidente, os argentinos votaram nos deputados nacionais e parlamentares para o Mercosul. Onze províncias também definiram governadores e outros cargos, tudo em apenas uma cédula.

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