LUIZA

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Atrações do Brasil e dos EUA movimentaram Mesa de Diálogo e Jam Session

Músicos baianos e norte-americanos se encontraram nesta quinta-feira (12.11), no Largo Pedro Archanjo, para intercâmbio musical entre a Bahia e os Estados Unidos (EUA). O programa reuniu os artistas Rafael Pondé, Victor Souza e Letieres Leite em uma Mesa de Diálogo acompanhada de uma Jam Session, que levou diversos artistas para o palco. O público teve entrada gratuita. A iniciativa foi da coordenação de Música da Fundação Cultural da Bahia (FUNCEB), entidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).
Na Jam Session, encontro informal de artistas tocando de forma improvisada, diversos músicos subiram ao palco, trocando experiências. Entre eles, Alex Crook (EUA), integrantes da banda formada na Filadélfia e Porto Rico, De Tierra Caliente, e artistas baianos como o cantor Victor Badaró, o instrumentista Pedrinho Ego e integrante da Banda Patuá, Pedro Tourinho.

Canal para artistas
O cantor Victor Souza, que é líder da banda Maca Reggae Samba e proprietário da S-Connection LLC, organização que promove os artistas baianos nos Estados Unidos e traz artistas norte-americanos para a Bahia, falou sobre sua experiência nos EUA: “Meu interesse é trabalhar com pessoas que tenham gana de fazer um trabalho original e independente”.
O produtor esclareceu aos presentes sobre as etapas de intercâmbio (passaporte, visto, carta-convite, inscrição de edital e a relevância do trabalho do proponente) e também falou sobre os eventos que acontecem nos EUA que acolhem a música brasileira, como The Brazilian Fest, The Reggae Evolution e o Park Sonoro. “A gente faz pequenos empreendimentos, mas que podem ser grandes negócios para os artistas independentes. O importante é dar as mãos. A gente pode achar um espaço e um canal para o artista chegar lá”.
Rafael Pondé, cantor, compositor, multi-instrumentista e produtor musical de Salvador, falou da sua experiência nos EUA, através do apoio do Ministério da Cultura e de Victor Souza. “Quando a gente vai pra outro país, a gente estuda a nossa originalidade, a música do nosso país. O edital abriu para três meses, mas fiquei oito meses fazendo contatos, conhecendo pessoas que promovem a música brasileira na Filadélfia”, disse ele, apresentando um vídeo sobre os desdobramentos da sua viagem com depoimentos de músicos e produtores dos EUA falando sobre a música do Brasil.
A partir dos relatos, os músicos presentes tiraram suas dúvidas sobre o intercâmbio. É o caso de Eduardo Fagundes, multi-instrumentista e educador do Centro de Formação em Artes (CFA), que queria saber se tem espaço para o músico instrumental no país. “Quando vocês apresentam esta oportunidade, vocês abrem as portas para o nosso trabalho”.
Letieres Leite, por sua vez, falou que o brasileiro é muito conhecido no exterior pela sua versatilidade, pois toca de música barroca a salsa, afrobeat, samba, entre outros estilos. “O fato negativo é que nós não estudamos a nossa própria música com a devida intensidade, a música de matriz africana. Os conceitos estruturais da música brasileira são vistos como se não tivesse rigor, o que não é verdade. Claro que existem exceções em algumas instituições de música, como o CFA, a Neojiba e a Prakatum, que já avançou nisso, onde a música africana é estudada com outro olhar”, revelou.
A Mesa de Diálogo e a Jam Session foram desenvolvidos com base nas diretrizes do Plano Setorial de Música. “O objetivo de tudo isso é trocar conhecimentos, conteúdo, formar uma nova rede e fomentar frutos entre eles”, assinalou Alessandra Pamponet, coordenadora de Música da FUNCEB. O programa Intercâmbio Cultural é promovido pela FUNCEB, com apoio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI). A FUNCEB e o CCPI são entidades vinculadas à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA). A ação também conta com a cobertura audiovisual da Diretoria de Audiovisual (Dimas).
*Fotos: Tomaz Neto

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