LUIZA

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Chineses controlarão terceira maior transnacional de pesticidas do mundo



De Berna, Suíça - A empresa estatal chinesa ChemChina iniciará o proceso de aquisição do grupo suíço de sementes e praguicidas Syngenta por 43 bilhões de dólares (43,8 milhões de francos), segundo anunciou a companhia helvética, cuja sede fica na Basileia. Será a maior operação do seu gênero no exterior, para uma empresa desse país asiático.Ambas as companhias anunciaram a transação, que faz parte de um movimento de concentração transnacional no setor de agroquímicos. Essa transferência representa u, revés para a multinacional estadunidense Monsanto, cuja oferta de 45 bilhões de dólares havia sido rejeitada pelo grupo suíço, no ano passado.
A Syngenta é uma das gigantes mundiais no setor biotecnológico, com presença em 90 países e com cerca 28 mil trabalhadores. É a terceira na ordem planetária, em nível de venda de sementes. Foi fundada em 2000, como resultado da fusão da Novartis Agribusiness e Astra Zeneca. Cinco anos antes, em um processo acelerado de sucessivas fusões empresariais, l Novartis havia integrado a Ciba–Geigy e a Sandoz.
Segundo porta-vozes da companhia, a atual direção da Syngenta continuará à frente da empresa. Após a conclusão da transação, um conselho de administração, composto por seis membros, será presidido pelo empresário chinês Ren Jianxin, e incluirá quatro membros do conselho atual.
Trata-se da maior aquisição realizada por uma empresa chinesa. a ChemChina concretizou, recentemente, diversas aquisições, a última das quais foi a da fabricante alemã de máquinas-ferramentas Krauss Maffei.
Imediatamente após conhecido o anúncio da venda, a combativa organização suíça MultiWatch, que luta para que as multinacionais suíças respeitem os direitos humanos e ambientais no mundo inteiro, comunicou que tal transação "não surpreende”, dado que, nos últimos tempos, a multinacional helvética mostrava cifras não muito positivas.
A MultiWatch, que há meses concentra sua tarefa de denúncia em torno das práticas da Syngenta – como modelo de empresa anti-ecológica –, chamou a transnacional a respeitar os direitos trabalhistas e sindicais dos seus trabalhadores.
Outra importante organização da sociedade civil helvética, a Declaração de Berna, denunciou, em sucessivas ocasiões, a Syngenta pela responsabilidade que tem em milhares de intoxicações anuais, especialmente entre os trabalhadores do campo, a partir dos fortes pesticidas que comercializa.
Quase um em cada quatro pesticidas vendidos no mundo inteiro provém da Syngenta, entre eles o Paraquat, cujos efeitos tóxicos têm sido denunciados pelas principais organizações internacionais.
Segundo os critérios e exigências da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Paraquat da Syngenta faz parte dos pesticidas extremamente perigosos. Paradoxicalmente, se bem que o uso desse veneno tenha sido proibido na Suíça e na Europa, segue sendo comercializado na América latina, África e Ásia. A FAO exige a retirada progressiva da distribuição e exploração do Paraquat.
Sergio FerrariColaborador de Adital na Suiça. Colaboração E-CHANGER

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