LUIZA

domingo, 16 de julho de 2017

Evento une Brasil e Portugal através da cartografia histórica

Por Rafael Castino
Mapa que mostra o Mato Grosso, um dos documentos que serão mostrados no evento promovido pela USP e pela Universidade do Porto – Foto: Reprodução

Promovido graças a um convênio entre a Universidade do Porto, em Portugal, e o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, o evento Governar com Mapas: o 1º Visconde de Balsemão e as Políticas Territoriais no Extremo Oeste (1748-1808) pretende difundir o acervo cartográfico relativo ao Brasil arquivado na Biblioteca Pública Municipal do Porto. As apresentações, marcadas para os dias 18 e 19 de julho, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP, são apenas a primeira parte do projeto, que prevê também a realização de um segundo seminário em Portugal, marcado para o final de novembro deste ano.
Mapa de João Teixeira Albernaz, responsável por constituir o mais antigo atlas de um território americano – Foto: Reprodução

Serão dois dias inteiros de programação, com a participação de historiadores, geógrafos, arquivistas e cartotecários, que participarão de quatro mesas-redondas e duas conferências. “Um dos nossos objetivos é estreitar os laços da pesquisa institucional, promovendo a capacitação de novos pesquisadores e aproximando especialistas em história da cartografia no período colonial”, comenta a professora Íris Kantor, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e organizadora do evento.

Segundo Íris, apesar de a história cartográfica ter se tornado um campo de estudos de bastante destaque no Brasil, ainda falta expertise aos pesquisadores nacionais, especialmente no que toca aos processos de restauração, catalogação e construção de bases de dados. Visando a melhorias nesse aspecto, Governar com Mapas irá oferecer também um workshop sobre o tema, com a curadora do acervo da Biblioteca Nacional do Brasil, Maria Dulce Faria.

Durante o evento, a USP irá apresentar os mapas manuscritos da região do Mato Grosso pertencentes ao acervo do IEB — documentos cartográficos manuscritos originais, bastante raros, produzidos na segunda metade do século 18, no período em que se definiu a fronteira entre a América portuguesa e a hispânica. Os mapas integram a coleção Yan de Almeida Prado.
“Embora esses mapas tenham sido muito bem explorados nos livros de Sérgio Buarque de Holanda Monções e Extremo Oeste, consideramos que tais documentos merecem ainda ser retrabalhados à luz das novas perspectivas e metodologias”, completa Íris.
A memória brasileira em terras portuguesasParte da Capitania do Mato Grosso, que compreende o Cuyava, cerca de 1770 – Foto: Reprodução

“Do ponto de vista qualitativo, as coleções de manuscritos da Biblioteca Pública Municipal do Porto são consideravelmente valiosas, com destaque aos documentos referentes ao Brasil”, explicam Maria Adelaide Meireles, bibliotecária responsável pela Seção de Reservados da Biblioteca Municipal do Porto, e Luís Cabral, diretor da biblioteca, num artigo publicado na Revista Acervo, publicada pelo Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro.

O núcleo de documentação relacionado ao Brasil foi, em grande parte, originário de duas bibliotecas particulares, cujos proprietários — Luís Máximo Alfredo Pinto de Sousa Coutinho e Sílvio Mondânio — estiveram ligados ao passado nacional.

Em sua maioria, os códices do acervo são cópias. No entanto, a importância histórica dos documentos é assinalável — muitos deles suprem a inexistência dos respectivos originais, outros servem de complemento para versões manuscritas. O limite temporal do acervo situa-se entre os séculos 17 e 19, com particular incidência no século 18.

Com um total de 278 códices, a Coleção Balsemão exibe assuntos referentes à história, geografia, zoologia, botânica, viagens de exploração, demarcação do território, assuntos militares, minas e economia brasileira. Dentre o acervo de plantas e mapas antigos, salienta-se a variedade de levantamentos cartográficos — uns de natureza diplomática, outros com fins militares, uns regionais, outros locais, hidrográficos, de grande escala e, muitos deles, relacionados aos problemas de delimitação territorial nacional.

Por exemplo, a Biblioteca do Porto guarda os documentos Razão do Estado do Brasil — cartas de Diogo de Campos Moreno, sargento-mor no Brasil no início do século XVII —, mapas de João Teixeira Albernaz I, que constituem o mais antigo atlas de um território americano, e Desenhos de História Natural — uma coleção com 68 folhas de desenhos aquarelados e legendas atribuídos ao arquiteto Antônio José Landi. O autor, contratado por dom João V, veio ao Brasil com outros especialistas, integrando uma comissão incumbida da delimitação das fronteiras, tendo exercido atividade como desenhista, arquiteto e naturalista.

A dimensão dos documentos referentes ao Brasil na biblioteca portuguesa pode ser conferida no artigo Documentos relativos ao Brasil existentes na Biblioteca Pública Municipal do Porto, publicado na Revista Acervo.

O evento Governar com Mapas: o 1º Visconde de Balsemão e as Políticas Territoriais no Extremo Oeste (1748-1808) acontecerá nos dias 18 e 19 de julho, no Auditório 2 do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP e na Sala de Música Villa-Lobos da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, também da USP (Avenida Professor Luciano Gualberto, 78, Cidade Universitária, em São Paulo). O evento é gratuito e não necessita de inscrição prévia. Confira a programação completa aqui.

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