terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Dilma reage a fake news espalhada por Bolsonaro em TV italiana

Bolsonaro verbaliza fake news espalhada contra Dilma há tempos pelas redes sociais
A ex-presidenta Dilma Rousseff distribuiu nota onde acusa Jair Bolsonaro de repetir, na RAI – TV estatal italiana – “uma notícia falsa e insidiosa espalhada por seus apoiadores durante a campanha eleitoral, por meio de um vídeo comprovadamente forjado”, tentando ligá-la a um assassinato ocorrido durante a luta armada contra a ditadura, o do sargento Mario Kozel Filho.
Mario foi morto pela Vanguarda Popular Revolucionária – VPR – do ex-capitão Carlos Lamarca.
Dilma pertencia a outro grupo, VAR/Palmares, e estava muito longe do Vale do Ribeira, em São Paulo, onde tudo aconteceu: era estudante em Belo Horizonte: “A verdade é que nunca fui integrante deste grupo, jamais participei de qualquer ação armada e não propus ou contribui para a morte de quem quer que seja", diz Dilma na nota.A ex-presidenta assinala que é “a terceira vez que, por má-fé, essa mesma fake news é usada contra mim” . Antes, por ativistas de direita, nas eleições de 2010 e pelos bolsonaristas, na disputa de 2018. E, agora, pelo próprio Jair Bolsonaro: “É profundamente lamentável que um chefe de Estado venha a proceder dessa forma”, condena Dilma.

Confira, abaixo, a íntegra da nota da ex-presidente:

FAKE NEWS AOS ITALIANOS

Bolsonaro passa notícia falsa à emissora de TV da Itália

O presidente Jair Bolsonaro divulgou uma fake news que seus apoiadores vêm disseminando há bastante tempo. Tornou-se transparente, assim, a origem dessas acusações, uma vez que agora foram feitas diretamente pelo próprio presidente para um público internacional.

Em entrevista concedida a um programa de auditório da RAI, emissora italiana de TV, o presidente proferiu acusação falsa e ignomiosa, atribuindo a mim participação na VPR, organização de oposição à ditadura militar. Construiu a sua fala, de modo a passar a ideia de que eu teria participado de ações violentas, em especial de uma que causou a morte de um soldado.

A verdade é que nunca fui integrante deste grupo, jamais participei de qualquer ação armada e não propus ou contribui para a morte de quem quer que seja.

Pertenci, na verdade, a outra organização política de oposição a ditadura, a VAR-Palmares.

O curioso é que os detalhes da minha atuação contra a ditadura militar no Brasil foram investigados e julgados pelos órgãos integrantes do aparato judicial-repressivo do regime militar, dos quais o então militar Bolsonaro foi próximo. Fui presa por três anos, fui torturada, e jamais me interrogaram ou julgaram por tais acusações, que agora, de forma irresponsável e injuriosa, me faz o presidente.

Meu nome também não é citado entre os militantes acusados de participarem da ação de São Paulo, no livro que trata do assunto, editado pelos próprios militares, após o fim da ditadura.

A ação específica a que Bolsonaro e seus apoiadores se referem ocorreu em São Paulo, em 26 de junho de 1968, período em que eu residia em Belo Horizonte e frequentava a Faculdade de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais. Não tinha o dom da ubiquidade, e ainda não tenho.

O presidente está apenas repetindo uma notícia falsa e insidiosa espalhada por seus apoiadores durante a campanha eleitoral, por meio de um vídeo comprovadamente forjado.

É a terceira vez que, por má-fé, essa mesma fake news é usada contra mim. A primeira foi em 2010, quando assumi a Presidência da República. A mentira foi divulgada por blogs fascistas. A segunda vez ocorreu na campanha eleitoral do ano passado, quando enormes somas de dinheiro foram gastas para espalhar notícias falsas contra os principais candidatos do PT, nas redes sociais. Agora, já na Presidência da República, Jair Bolsonaro repete aos telespectadores italianos informações falsas usadas para enganar o eleitor brasileiro.

É profundamente lamentável que um chefe de Estado venha a proceder dessa forma.

Dilma Rousseff

Fonte: Tijolaço

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