sábado, 2 de março de 2019

Ex-deputado federal Jean Wyllys, do Psol, participa de conferência em Lisboa

Portugal Digital com Lusa
A conferência foi organizada pelo Programa de Doutoramento “Human Rights In Contemporary Societies”, Fundação José Saramago e Colectivo Andorinha – Frente Democrática Brasileira de Lisboa.
No final da tarde, cerca de 200 pessoas estavam concentradas na Rua do Jardim do Regedor, fazendo fila desde a porta da Casa do Alentejo até aos Restauradores, para ouvir o ex-deputado federal brasileiro – crítico de Jair Bolsonaro, que assumiu em janeiro as funções de Presidente do Brasil – intervir na Conferência “Porque se exilar do Brasil hoje?”.
Jean Wyllys anunciou, em 24 de janeiro, a renúncia ao mandato de deputado federal e que deixava o Brasil, após receber ameaças de morte, situação que se arrasta desde o homicídio da vereadora Marielle Franco, também pertencente ao partido de Wyllys, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Além de defensores do ex-deputado federal e de apoiantes e simpatizantes de movimentos sociais e de partidos políticos, como o brasileiro Partido dos Trabalhadores (PT), os portugueses Bloco de Esquerda e o Livre e ativistas dos direitos humanos e homossexuais, Jean Wyllys também era esperado por militantes do Partido Nacional Renovador (PNR), de extrema-direita.

Junto à Casa do Alentejo, apoiantes de Wyllys, portugueses e brasileiros, alguns de cravos na mão, gritavam palavras de ordem e exibiam cartazes em memória de Marielle Franco, a socióloga, vereadora e ativista dos direitos humanos, do mesmo partido de Wyllys (PSOL) assassinada em março do ano passado.

Num outro cartaz lia-se “Em Portugal e no Brasil, sempre em defesa dos valores de abril”.

O presidente do PNR, José Pinto Coelho, presente no local, disse que Portugal está dominado “há várias décadas por uma ditadura cultural de esquerda” e criticou a comunicação social por “boicotar sistematicamente” o seu partido.

Por isso, vieram mostrar, desta forma, a sua “indignação” face à impunidade com que é recebido “um bandido fugido à justiça que cuspiu em Bolsonaro e é recebido como um herói”, disse o chefe do grupo neofascista.

A chegada de Jean Wyllys ao local correspondeu a um acréscimo de tensão entre os manifestantes, que trocaram provocações e insultos. Um militante do PNR gritou ao microfone o seu orgulho de ser “branco, heterossexual, casado e com três filhos”, enquanto outros jovens respondiam com insultos de “porcos nojentos” e “bonecos de Salazar” [o antigo ditador fascista].

Uma das pessoas que se deslocaram à Casa do Alentejo para ouvir Jean Wyllys trazia um livro de Alípio de Freitas, “Resistir é preciso”, para lembrar a memória deste resistente português que lutou contra a ditadura, foi torturado e esteve preso dez anos no Brasil, porque este “é um momento de alerta”, disse à Agência Lusa.

“Eleger uma pessoa como Bolsonaro é sinal de que o país está muto doente, não consegue distinguir entre o bem e o mal”, lamentou, criticando o “fascismo que está em ascensão e a extrema direita que está a querer impor-se e posicionar contra os valores democráticos”.

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