terça-feira, 10 de setembro de 2019

Como a fisioterapia pode melhorar a qualidade de vida do portador de deficiência

Salvador, 10 de setembro de 2019 – Em 21 de setembro é comemorado o Dia Nacional de luta das pessoas com deficiência. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que 6,2% da população brasileira tem algum tipo de deficiência. A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) considerou quatro tipos de deficiências: auditiva, visual, física e intelectual.
Realizado em parceria com o Ministério da Saúde, o levantamento aponta que, dentre os tipos de deficiência pesquisadas, a visual é a mais representativa e atinge 3,6% dos brasileiros, sendo mais comum entre as pessoas com mais de 60 anos (11,5%). O grau intenso ou muito intenso da limitação impossibilita 16% dos deficientes visuais de realizarem atividades habituais como ir à escola, trabalhar e brincar.
Para a coordenadora do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Estácio da Bahia, Daniella Gomes, qualidade de vida é um conceito subjetivo, já que pode ter significados diferentes para cada pessoa. Estão aí envolvidos o acesso a saúde, a educação, transporte, trabalho, lazer, relações pessoais, dentre outros. “Porém, pode-se dizer que a fisioterapia trabalha com o objetivo de dar independência funcional ao paciente. Ser independente nas suas atividades de vida diária e, além disso, ter possibilidade de ter lazer e vida digna é o objetivo de toda pessoa com deficiência. O desejo do paciente é, muitas vezes, conseguir tomar um banho sozinho, ou se alimentar sem ajuda e é aí que a fisioterapia faz o seu papel”, afirma Daniella.
O nível de melhora não pode ser definido. Isso vai depender do tipo de deficiência (física, intelectual, visual, múltiplas deficiências), da idade do paciente, da doença de base, da extensão da lesão, do tempo que levou para o socorro ser dado e da intensidade e estímulos dados na reabilitação. Para isso o fisioterapeuta deve realizar uma avaliação minuciosa no paciente e a partir daí traçar os objetivos da reabilitação e escolher as técnicas adequadas para esses objetivos sejam cumpridos.
Para Daniella Gomes, a fisioterapia pode ser realizada em qualquer idade, não existem limites. O fisioterapeuta pode tratar desde o bebê prematuro, com estimulação precoce, até o idoso com Mal de Alzheimer. “O ser humano tem uma coisa chamada de plasticidade cerebral, que a capacidade que o cérebro tem de se readaptar a novas situações e recuperar funções perdidas. E essa plasticidade existe até mesmo em pessoas com demências, como o Mal de Alzheimer”, completa a professora.
A diferença é que a plasticidade precisa ser estimulada. Se a fisioterapia não é feita, o cérebro não é estimulado. Por exemplo, o bebê prematuro vai adquirir seu desenvolvimento motor (sustentar o pescoço, sentar, ficar de pé e andar) e cognitivo mais rápido se ele fizer a fisioterapia. Da mesma forma, se a pessoa que teve um AVC não entrar em um programa de fisioterapia, pode ser que nunca mais recupere a função. Com isso, sua independência funcional fica comprometida e a sua qualidade de vida diminui.
Não há como estimar o aumento na sobrevida de quem faz fisioterapia. Vai depender de vários fatores: da doença de base, da idade, etc. Na verdade, o objetivo da fisioterapia é melhorar a funcionalidade. Dar independência ao paciente. “Ainda que seja um paciente com uma doença terminal. Não adianta ter a vida prolongada se ela acontece em um leito e na dependência de um cuidador, se não se tem qualidade de vida”, explica Daniella.

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