quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Ao lado de países autoritários, Brasil assina declaração contra aborto

Iniciativa promovida pelos Estados Unidos, supostamente para promover saúde e direitos da mulher, recebe ainda apoio da Arábia Saudita, Sudão, Congo, Egito, Emirados Árabes Unidos e Belarus.
O Brasil assinou nesta quinta-feira (22/10) uma declaração internacional contra o aborto e em defesa da família tradicional. A iniciativa foi promovida pelos Estados Unidos e conta com o apoio de alguns dos países mais autoritários do mundo, como Arábia Saudita, Sudão, Congo, Egito, Emirados Árabes Unidos e Belarus. Chamada de Declaração de Consenso de Genebra, a iniciativa seria voltada para promover os direitos e a saúde das mulheres, preservar a vida humana, fortalecer as famílias e a soberania nacional na política global. O movimento foi liderado pelo secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, no âmbito de uma reorientação conservadora da política externa americana.
O Brasil aparece ao lado de Egito, Hungria, Indonésia e Uganda como copatrocinador da declaração, que foi assinada apenas por 31 países – a grande maioria nações africanas e do Oriente Médio. Além de Belarus, da Europa, somente a Polônia e a Hungria endossaram o texto.
Apesar de supostamente defender a saúde da mulher, a declaração destaca ser contra o aborto, afirmando que o procedimento “não deve ser promovido como método de planejamento familiar” e que “a criança precisa de proteção e cuidados especiais antes e depois do nascimento”.
O texto ressalta ainda que “o direito à vida é inerente à pessoa humana”, além de destacar o suposto “papel da família como base para a sociedade e como fonte de saúde, apoio e cuidado”. Esse tipo de linguagem costuma ser usado por opositores dos direitos LGBTs e do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Ainda neste contexto, a declaração afirma que “as mulheres desempenham um papel fundamental na família” e que “uma parceria harmoniosa entre homem e mulher é fundamental para o seu bem-estar e o de suas famílias”.
O Brasil foi representado pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, e pelo ministro do Exterior, Ernesto Araújo, na cerimônia de assinatura da declaração, de forma virtual.

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