sexta-feira, 21 de maio de 2021

Apenas 20 empresas produzem mais da metade do lixo plástico do mundo

Brasileira Braskem aparece na lista de fundação australiana. Com baixa taxa de reciclagem, produção de plástico descartável está se tornando um dos principais fatores que contribuem para o aquecimento global. A reportagem é publicado por Deutsche Welle, 18-05-2021. Apenas 20 empresas, a maioria delas dos setores de energia e petroquímico, estão na origem de mais da metade do lixo plástico descartável produzido no mundo, afirmou nesta terça-feira (18/05) a fundação australiana Minderoo. Plásticos descartáveis, como máscaras, equipamento médico, sacolinhas de supermercado e copinhos, são feitos de polímeros, criados a partir de combustíveis fósseis, como petróleo e gás. Esse tipo de plástico é difícil de ser reciclado e acaba, em sua maioria, no lixo. Apenas de 10% a 15% da produção é reaproveitada. No topo da lista das principais produtoras de lixo plástico estão as empresas americanas ExxonMobil e Dow e a chinesa Sinopec. No nono lugar está a brasileira Braskem. O relatório da Fundação Minderoo afirma ainda que 60% do financiamento para essa indústria vêm de 20 bancos de atuação global, que emprestaram quase 30 bilhões de dólares para a produção de polímeros desde 2011. Em 2019, 130 milhões de toneladas métricas de plásticos descartáveis foram descartados no mundo, com 35% deles sendo queimados, 31% enterrados em depósitos de lixo e 19% simplesmente jogados no solo ou nas águas, afirmou a fundação no relatório. Nos próximos cinco anos, a produção deverá aumentar até 30%, afirmou a fundação australiana. Como consequência, a fabricação de plásticos está se tornando cada vez mais um dos principais fatores que contribuem para o aquecimento global. No atual ritmo, os plásticos descartáveis podem ser responsáveis por cerca de 5% a 10% de todas as emissões globais anuais de efeito estufa até 2050. No prefácio do relatório, o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore afirma que empresas do setor petrolífero estão se voltando cada vez mais para a produção de plásticos porque dois de seus principais mercados, o de transportes e o de geração de eletricidade, estão sendo descarbonizados. Ele ressaltou ainda que as crises climáticas e de resíduos plásticos estão cada vez mais interligadas, com a atmosfera sendo tratada como "um esgoto a céu aberto" para as emissões e os oceanos como "um aterro sanitário" para os plástico.

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