Entre os dias 30 de maio e 12 de junho, a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) promoveu a disciplina “Biocaminhos: Desenvolvimento Sustentável entre Amazônia e Mata Atlântica”, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente (ProdemA). A iniciativa reuniu 18 estudantes de pós-graduação de diferentes áreas do conhecimento e promoveu uma experiência acadêmica de imersão em dois dos mais importantes biomas brasileiros.
A disciplina foi ministrada pelos professores doutores Romari A. Martinez, do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas (DFCH/Uesc), Colleen Scanlan-Lyons e Gunars Platais, da Universidade do Colorado – Boulder (UCB), e Jair Max Furtunato, da Universidade Estadual do Amazonas (UEA).
Em sua sexta edição, a disciplina constitui uma importante ação de internacionalização da Uesc, realizada no âmbito do convênio de cooperação firmado entre a Universidade e a UCB, originalmente assinado em 2014 e atualmente em processo de renovação. A atividade conta ainda com a organização logística do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e é oferecida anualmente como componente curricular optativo do ProdemA.
Integração entre universidades e territórios
A turma foi formada por estudantes do Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente da Uesc, dos programas de Mestrado e Doutorado da Rede Bionorte, incluindo alunos da área de Biotecnologia, além de estudantes do Mestrado em Meio Ambiente da Universidade do Colorado, matriculados como alunos especiais. Também participaram estudantes vinculados a instituições da região amazônica, ampliando o caráter interestadual e internacional da experiência.
As atividades foram desenvolvidas nos municípios de Manaus e Novo Airão, no Amazonas, e Ilhéus e Itacaré, na Bahia. A programação incluiu visitas ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), organizações não governamentais, empreendimentos comerciais, associações culturais, comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, além de unidades de conservação como o Parque Nacional de Anavilhanas, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro e o Parque Estadual Serra do Conduru.
A proposta possibilitou aos estudantes conhecer diferentes realidades socioambientais, dialogar com lideranças locais e relacionar conhecimentos acadêmicos às experiências e aos saberes produzidos pelas comunidades.
Conhecimentos que atravessam fronteiras
A experiência proporcionou o encontro entre estudantes e pesquisadores de diferentes regiões, universidades, culturas e realidades ambientais. Ao aproximar Amazônia, Mata Atlântica e Colorado, a disciplina ampliou as possibilidades de intercâmbio acadêmico e de construção coletiva de conhecimentos sobre os desafios do desenvolvimento sustentável.
Mais do que uma atividade curricular, o “Biocaminhos” consolidou-se como espaço de diálogo entre ciência, saberes tradicionais e experiências territoriais, estimulando a elaboração de propostas que considerem a conservação da biodiversidade, a valorização das comunidades e a construção de alternativas sustentáveis para diferentes biomas.