Por que eventos que acontecem na infância são tão impactantes?
Colombini explica que a primeira infância é um momento extremamente delicado, visto que a criança está conhecendo a si mesma e ao mundo e aprendendo a conviver em sociedade a partir da ajuda de outras pessoas (seus pais, rede de apoio). “Por isso, se a criança vivenciar uma situação traumática nessa fase, ela fica sem referências, o que abala sua regulação emocional”, diz o especialista. “Neste período, os traumas afetam profundamente a saúde mental antes mesmo da criança conseguir desenvolver o autoconhecimento”, conclui.
Existem indícios de que os traumas da infância estão trazendo prejuízos na vida adulta?
Segundo Filipe, sim. A falta de maturidade emocional é um dos principais sinais. “Muitas pessoas que sofreram traumas na infância não conseguem ter estabilidade em suas relações, têm incapacidade no estabelecimento de metas duradouras e estáveis na vida, além de nutrirem um forte padrão desconfiança e instabilidade e ainda dependerem muito do outro emocionalmente para tomar decisões e resolver seus problemas”, destaca o psicólogo. Isso reflete em sensação de vazio existencial, em um processo onde o indivíduo tem baixos níveis de autoconhecimento e autoestima, não conseguindo estabelecer autocompaixão. “Estas pessoas podem se isolar, recorrer a comportamentos impulsivos, agressivos, tentativas de automutilação e até mesmo tentativas de suicídio”, diz Colombini. “Elas podem ainda desenvolver dependência de substâncias, ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e outros distúrbios psicológicos”, conclui.
Dá para superar traumas de infância na vida adulta?
Sim, a melhora da qualidade de vida pode acontecer. A terapia, especialmente quando focada no trauma, pode ser altamente eficaz. Ainda segundo o especialista, profissionais de saúde mental são os mais indicados para ajudar no processo de superação dos traumas vivenciados na infância. “É preciso aderir a um tratamento com forte estrutura de intervenção, liderado por profissionais da área da Saúde Mental: psiquiatra, psicólogo clínico e também um acompanhante terapêutico (AT), por exemplo”, diz Filipe. Colombini ressalta, ainda, que questões de saúde relacionadas a traumas exigem uma abordagem sensível, técnica e diretiva, orientada por profissionais treinados para lidar com essas situações. É justamente por isso que o mais importante é buscar ajuda profissional. “Em geral estas pessoas têm dificuldades estruturais, que requerem avaliação técnica minuciosa e o desafio é trazer estabilidade para a vida delas, em um processo no qual a rede de suporte, como família e amigos, precisam estar sempre atentos, com escuta e apoio ativos, em função do forte sentimento de invalidação vivenciado pela pessoa”, explica o psicólogo. Mais sobre Filipe Colombini: psicólogo, fundador e CEO da Equipe AT, empresa com foco em Acompanhamento Terapêutico (AT) e atendimento fora do consultório, que atua em São Paulo (SP) desde 2012.
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